terça-feira, 4 de setembro de 2012

A Menina dos Olhos Sorridentes


Flores cercavam o caminho por onde eu, criança, cruzava pela terra vermelha e encontrava dois olhos negros que sorriam pra mim.

Os olhos eram puxados pelo sorriso. E eu, somente, poderia passar se levasse comigo aquele sorriso tão lindo de seus olhos!

Não és negra, nem mulata e nem branca. Mas os olhos mestiços puxados por um sorriso contido despertam na alma o desejo de se olhar por entre a menina daqueles olhos. A menina sorridente daquela garota disseminava uma pureza preservada num corpo jovem crescente.

Não és menina. Mas a menina dos olhos sorri pra mim.

sábado, 25 de agosto de 2012

Verde

Coisa que não cega, mas se segue assim mesmo. O desejo da indefinição segue retido e compreendido pelo tamanho do que sera de quem não foi um dia.

Passar o dia com os olhos negros, da fala escrita por mãos alheias, trouxe a tona um estado de espirito evocando a singularidade de um sorriso.

Sorriso este, que se sorri com os olhos. Pois aquele que se faz curva com os olhos, puxando-o e fazendo um sorriso aparecer na face a cada olhar, é divinamente bonito e misterioso ao mesmo tempo.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Seria injusto se não fosse mentira?

Bicicleta acelerada descendo a avenida na tentativa, milagrosa, de conseguir chegar a tempo.

Ele sabia que não ia conseguir, mas a medida que se aproximava em direção a casa da aniversariante o pessimismo e o sentimento de culpa, que perduravam por 24 horas completas exatamente no momento em que ele desceu da bike, desapareceu.

23 segundos separavam o primeiro dia com 18 anos da aniversariante, com o segundo. E ele sabia disso.

Provavelmente este seria o ultimo dia dela com ele. Mas com 18 anos.


Só?

_ Sereia! - chamou o menino - Como faço para seguir em frente?
_ Não sei, mas deve ser seguindo.
_ Mas como assim... Devo andar sozinho dessa vez? - perguntou o menino hesitante.
_ E como vou saber? Eu, nem por acaso, ando...
_ E como você faz para seguir em frente?
_ Me conhecendo...

Disse a sereia a mim e mergulhou desaparecendo aos poucos no fundo da lagoa...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Felicidade é uma questão de SER...

Não é todo mundo que tem o privilégio de deleitar por noites com a janela aberta ouvindo apenas o silencio como musica de fundo, enquanto os carros passam e transferem a trilha sonora pelo ambiente noturno.

Eu me sentei para escrever, sem pensar em personagens dessa vez, pois, talvez agora, o necessário não era o que tinha aqui dentro, nem muito menos as relações humanas e suas teias e garras venenosas. Nem de sentimento.

A vontade minha agora, é escrever o que observo nessa noite calma e escura.
Enquanto o silencio prevalece e os ruídos continuam a sua rotina noturna de todo dia, eu invado o silencio e transgrido para a sombra que devora os monstros da noite.

Hoje não haverá maus sonhos e nem muito menos uma euforia de ansiedade.

Acredito que a calma que nos conforta na alma deixa tudo mais tranquilo e feliz.
Sim, a felicidade é branda e tranquila. Mas não é conformada!

domingo, 12 de agosto de 2012

Bom Dia Cinderela!


Eu me lembro da primeira vez que acordei na casa de Maria Rosa. Achei que estava em casa, mas quando eu vi que o teto era outro, a mobília de algum filme antigo e a cama, que aparentava ser da família real portuguesa, fiquei perplexo. Até a minha bexiga ficou tímida nessas horas e se recusou a trabalhar até que eu descobrisse onde realmente estava. Justo a mijada matinal. Eu sempre durmo ancioso para a manhã seguinte chegar logo pra poder mijar durante quase dois minutos sem parar. Ultimamente esse era o meu maior prazer por esses canais.
Vozes femininas vinham la de fora do quarto. A janela, que nem era antiga (alias, a unica coisa que não era), estava fechada e eu não me atreveria a abrir e me deparar com o desconhecido. Pensei que tinha sofrido uma viagem no tempo. Eu assistia Discovery sempre que tinha tempo, e vi uma vez que tempo e espaço é algo muito relativo, e que o tempo é, tambem, uma das dimensões. Quatro dimensões, ou cinco, sei lá. Não sabia nem onde estava e minha vontade era ter acordado em uma suite, ou num banheiro público até. Mas não, voltar no tempo era tudo o que eu não poderia, ouvi dizer que os banheiros daquela época eram nojentos e o chuveiro era gelado. Não poderia mais me deliciar com as longas duchas quentes que me esquentavam mais que mulher. (Já que elas fugiam dele).

A voz da cozinha, agora, chamava por um nome que, a principio, começou bem baixinho e foi aumentando o volume até conseguir ouvir claramente ela chamando-o por caio. De repente aparece na porta do quarto a coisa mais linda que eu já vi na minha vida e me olha de um jeito apaixonado que eu não podia acreditar, o que quer que tenha acontecido na noite anterior, foi muito bom!

"Estou preparando um pouco de café e já trago, está bem?" ela me diz.

Café? Talvez ela não soubesse que eu detesto café. Talvez eu não teria dito, ou teria dito e ela não ouviu, assim como, talvez, eu não escutei ela dizer o seu nome. Talvez ela não tenha dito.
Saí do quarto sem dizer nada e andei um pouco por entre aquela casa enorme, um casarão antigo.
Com uma casa grande dessas poderiam haver ali, sem problemas, uns 3 banheiros, sem dúvidas, mas que nada. No corredor todas as portas, exceto a do quarto em que acordei, pareciam trancadas e eu não conseguia encontrar o banheiro. Mais um pouco e eu mijava nas calças com certeza. Então eu procurei a garota linda seguindo o cheiro forte e insuportável do café, o quem e conduziu até uma cozinha com mais duas pessoas seminuas conversando com ela.
"Bom dia Cinderela!" falou a garota do sutiã vermelho no colo do careca sem camisa. Eu fiquei confuso e encarei-os por um tempo tentando descobrir o porque dela ter me dito isso. Fiquei pensando se tinha dito de propósito ou se estava confusa, a cinderela perde o o sapatinho de cristal e é a bela adormecida que cai em sono profundo, eu acho...
Fui na direção daquela, que estava passando o café especialmente pra mim, segundo ela, e perguntei num cochicho onde era o banheiro. Com uma das mãos segurando a chaleira de água quente no ar, ela ficou me olhando com ironia como se eu soubesse onde fica a porcaria do banheiro! Achei até que ia jogar a água em  mim! (seria a primeira mulher depois de meses que o esquentaria um pouco.)
Ela pegou o meu braço com força e me levou até um pequeno corredor onde tinha mais uma porta trancada.   A porta se abriu, e de lá surgiu uma mulher gorda que tinha acabado de cagar, pois pelo cheiro, tomar banho é a ultima coisa que ela deve ter feito por lá. Então a garota linda, com um shortinho rosa escrito na etiqueta "RosaMaria", apontou com o bico da chaleira me apresentando ao banheiro, como se o banheiro fosse uma pessoa que eu quisesse e muito conhecer. "Banheiro, o bosta, bosta o banheiro!". A ironia tinha se transformado em desprezo e eu pude passar os próximos dois minutos pensando no porque daquela desconhecida, linda, me tratar daquele jeito.

Acho que não sou bom de cama, concluí.


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Criança

Parece a vertigem reluzindo o ouro de um sorriso flamejante em plena luz de um dia normal, quando ela, ao cruzar por mim, me sorriu um sorriso sincero de luz que eu não saberia como retribuir com a mesma alegria uma criança tão ingenua.

Felizes os que percebem as pequenas alegrias reluzindo no meio do caos...

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Desejo de Sorriso

As vezes o coração bate a distancia, por que sabe que do outro lado tem uma alma digna de ser lembrada.
Lembro do dia que ele a viu pela primeira vez, alias, ele não a viu apenas eu, mas como ele anda comigo quase todo o tempo eu a reparei por ele.

Sinceramente, não foi uma olhada de desejo e o coração também não apertou e, talvez, nem apertaria se a visse como eu. Foi uma noite de muita correria e passamos desapercebidos uns pelos outros e se não fosse a ilusão social de te ver nas fotos e dizer "hey, eu te conheço, aceita ai", nunca mais a veria.

Quem vê cara não vê coração, é fato. Mas e agora que vi o seu coração e a sua alma sem a ver de fato, o que acontece?


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Vinte noites mal dormidas bastaram para estancar as feridas na alma.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Uma Pedra de Gelo no Café da Tarde!

Caros senhores presentes. Deveria eu, por meio desta, discursar longamente sobre o meu profundo sono? Creio que não. Mas a métrica concedida a mim para as próximas palavras, não me dá o direito de preservar minha identidade, da qual foi roubada, para uma única e exclusiva atividade: A riqueza.

Riqueza esta, que pode chegar de maneira tão rápida ao repetir e reproduzir metricamente, frases gravadas de um contexto alheio e aquém a minha pessoa, e dirigida de modo exclusivo aos direitos pessoais e interesses públicos que vão além do meu direito do sim ou não.

Quando se trata de lados, prefiro o indivisivel e o único lado que tenho: Eu!
                                     

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Crescer...

Caminhava devagar olhando o céu enquanto as ruas da cidade eram repletas de sanidade e ironia. Não seria, mesmo, uma questão relevante, mostrar pra todo que ele enfim havia decidido crescer?

Caminhava com o peito tranquilo e seguro de si. Estava aberto e disse sim ao novo, a vida!

Agora ele era tomado pela chama e pela calmaria de se observar o ambiente a sua volta. Na volta pra casa, (estamos sempre voltando pra casa) a certeza vinha em forma de dois olhos cedidos a simplicidade de ser.

Estava vivo, e pela primeira vez, ele sabia disso...

É assim a verdadeira realidade? Tão delicada como um fio de linha fina?




terça-feira, 10 de julho de 2012

Vermelho - A Terra

"Pode deixar tudo comigo, agora eu assumo o lugar.

Eu sou a vida. O lugar por onde todos vivem. Eu guardo o calor, o torpor, mas também o frio. Sou onde tudo acontece em ode a minha espécie. Sou folha verdadeira, mato crescente no rio. Eu, também, sou a terra e tudo que já existiu."

domingo, 1 de julho de 2012

Vermelho

O sol não havia aparecido ainda, mas as luzes do seu brilho reluziam por trás do morro em tons laranjas.

Ao desembarcar, o cheiro forte da terra fértil subiu e descongestionou o nariz de gripe e a garganta seca do ar-condicionado. A terra é o que mais chama atenção. Apesar de asfaltada, as ruas são impregnadas pelo vermelho e pelo torpor do calor do dia ainda preso no final da madrugada. Amanhecia quando o jovem desceu do ônibus e desembarcou para visitar o que restava de sua infância. Não só as ruas eram vermelhas, as paredes das casas eram impregnadas, também, pelo torpor da terra e pelo cheiro vermelho do calor do dia.

E eu que achava que a cidade era cinzenta, mas não, ela era vermelha. Vermelha em pó!

quarta-feira, 6 de junho de 2012


Oh, pequena
De tão grande, és meu maior poema
Tão doce e amarga ao mesmo tempo
És intensa e cheia de si.

Oh, morena
De pele clara e gostosa alegria,
És de longe, minha melhor poesia...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Casa que Habito I

Fechou a janela e deixou-a fechada por dias! Trancou seu quarto e ficou pra fora.
Disse-lhe que só entraria caso ela voltasse com a chave nas mãos. E assim foi por dias até resolver reformar a casa e mudar os móveis de lugar.

A casa havia sido habitada por uma visita que resolveu ficar por ali após um encontro despretensioso ao acaso regado de vinho na varanda. A noite era azul quando ela resolveu entrar e passar a noite, mesmo ela sabendo que não passaria de uma noite, ou de poucas, pois era o que o dono dizia, sempre zeloso de seu lar e com muito cuidado para não tirar nada do lugar, que estava impecável à algum tempo. Ele ainda estava confiante e cheio de si, pois sabia que ao amanhecer, ia arrumar a bagunça com muito cuidado pra não tirar nada do lugar e continuar morando no lugar perfeito, longe e livre de falhas humanas. Mas acabou que ele a convidou para passar mais uma noite em sua companhia, quando tivesse um tempo, esperando certamente que, quando a hora do encontro chegasse o afeto já teria ido embora. Então ela partiu, no primeiro dia...

Ele estava só em sua casa, arrumando os detalhes de seu quarto quando viu o afeto jogado embaixo da cama, junto com os monstros de estimação que guardara desde a infância. Era quase terminada a hora da faxina rotineira de todo dia e a unica coisa que faltava para, enfim, terminar o serviço, era jogar o afeto pra fora como sempre o fazia. Mas houve algo diferente naquele dia! O afeto tinha um pequeno brilho, uma pequena luz que brotava em seu interior trazendo mistério. Ele o pegou com cuidado, examinou e pensou sobre o que poderia ser aquele pequeno brilho azul, ainda muito fraco, e que não estava na noite anterior.

Não sei se por medo, mas naquele dia ele não limpou tudo...

domingo, 20 de maio de 2012

Cornetas, aplausos e musica! Um tapete vermelho era o caminho da grandiosíssima excelência passar com o seu precioso uniforme Generalíssimo. Seu quepe encontrava a tempestade de flashs das cameras dos jornais de todo o mundo, enquanto desfilava de mãos dadas com a elegante primeira dama.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

2006.

Era pelo ideal de algo novo que todos nós nos reuníamos para discutir as velhas regras ditadas pelos senhores experientes de vida. Mas a gente não aceitava, diziamos que eramos livres para viver o hoje e aproveitar cada instante, fazendo da vida um acúmulo de experiencias intensas e inesquecíveis. Eramos jovens (ainda somos) e o mundo reluzia diferente, caminhavamos à um novo despertar rumo a uma nova era de sonhos e desapegos materiais. Queriamos mudar o mundo!
Era bonito ser rebelde, lutar contra o sistema. Foda-se o sistemaaaa!

Ai passou uma ano. Outro. Nos formamos. Juntamos todo o nosso aprendizado e partimos a luta.
Passou mais um ano, a luta nem era tanta assim. Arrumamos empregos, compramos carros.
Queriamos ainda mudar o mundo, mas o mundo havia nos mudado.

E nos tornamos aqueles que lutavamos contra!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A Poesia de se Olhar com os Olhos e Desejar a Alma

Inclinou-se sorrateiramente para o lado e o que era sombra apareceu como dúvida. O que restou do mistério, outrora desvendado, era mais visivel ainda por ser indi.visivel ao corpo humano.
Olhos que pegaram fogo, olhavam pra dentro e se perguntavam sobre qual seria o  verdadeiro sentido de tudo aquilo. Talvez não passasse de misterio. Ou egoismo!

Os olhos desejaram o corpo pois queriam a alma!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A Deriva

Os pés descalços que andam à deriva descobrem, no chão, o peso do mundo!

O homem que vê um mundo novo ao desembarcar sem destino, sonhou um dia atravessar a rua na companhia, apenas, de seus pés, que os guiam livremente nas ruas, avenidas e nas praças.

Enquanto isso, ela, a garota que procura por liberdade, se vê presa num mundo caótico e desumano.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Segunda Pessoa

Imagine você.
Você andando em ruas lotadas de tudo do mundo do pouco de tudo.
Seus olhos observam agora os rostos, as faces multifacetadas de formas distintas da vida humana.
Milhões de vozes e você andando e percebendo, quadro a quadro, em passos largos, o silencio de todos os sons.

Milhões de vozes e você mudo diante de tudo.
(como se a paz sugasse cada onda sonora).